videoconferenciaRenato Sabbatini

Um dos principais fatores que influenciam a baixa qualidade da educação pública brasileira é a deficiência na formação e na atualização dos professores que atuam nesse segmento. Felizmente, depois de décadas de inércia, o Brasil começou a progredir fantasticamente nos últimos anos, colocando em marcha algo que possivelmente será um dos maiores programas de educação a distância (EAD) pública do mundo. Alguns exemplos são a Universidade Aberta do Brasil (UAB), a TV Escola, o ProInfo, a ProLicenciatura, e várias outras iniciativas de grande alcance e enorme valor.

A Universidade Aberta do Brasil, por exemplo, é um programa do MEC de ensino a
distância, que oferece cerca de 90 cursos diferentes para mais de 60.000 alunos em 569 pólos, números a serem atingidos até o fim de 2008. A meta é ter cerca de 830 pólos e 140 mil novas vagas em cursos de graduação e pós-graduação até 2010. O programa é voltado fundamentalmente para a formação de professores.

Muitos cursos de capacitação de professores também têm sido oferecidos, com o objetivo de introduzir novas tecnologias na educação pública, tais como o de “Mídias na Educação”, que ofereceu 3.500 vagas gratuitas, e agora está ampliando esse número para mais 25.000 vagas; e o de “Informática na Educação” . que já formou cerca de 1.300 professores. Já o curso ‘Usando a TV na Escola” foi dado para mais de 60.000 professores.

A TV Escola é outro programa dirigido à capacitação, atualização e aperfeiçoamento de professores do ensino fundamental e médio da rede pública. São 17 horas de programação diária com transmissão via satélite digital diretamente para as escolas, e que atualmente, atinge 29,5 milhões de alunos e 1,2 milhão de professores em 47.900 escolas públicas do País. Todo o acervo de programas está também disponível gratuitamente para as escolas públicas através de um conjunto de DVDs.

O Proinfo foi iniciado há mais tempo, com o objetivo de democratizar o uso pedagógico das TICs nas escolas públicas de educação básica, por meio da instalação de laboratórios de informática. Ele beneficia atualmente 5,8 milhões de alunos e 218 mil professores em 5.140 escolas públicas de 1.819 municípios do país. O MEC já conseguiu formar gratuitamente cerca de 300 mil professores da rede pública, 25 mil alunos monitores e mais de 7 mil agentes multiplicadores, que atuam na formação de professores, diretores de escolas e orientadores pedagógicos.

Por falta de espaço, não vou citar aqui as centenas de programas de governos estaduais e municipais. Aqui se destacam programas como a Universidade Eletrônica do Paraná, o FORPROF e o PEC do Governo do Estado de São Paulo, o CEDERJ do governo do Rio de Janeiro, os programas da UNESP e de várias outras universidades estaduais e federais. Mas são muitos e se multiplicam rapidamente.

Creio que nem todos os cursos a distância patrocinados pelo poder público sejam bons, e que muitos professores-alunos estejam apenas buscando diplominhas, como tem sido freqüentemente criticado. Mas o mérito desses programas reside justamente no fato de que pela primeira vez no Brasil está se fazendo um esforço maciço para formar mais professores e aperfeiçoar os que já trabalham, e isso, se continuar pelos próximos 10 anos, acabará trazendo bons resultados. Somente através da EAD isso será possível, devido à grande dispersão geográfica dos municípios brasileiros (dos quais, mais de 90% têm menos que 50 mil habitantes!).

Mas que esse esforço funciona, não há dúvida. Um bela reportagem na revista Veja de 8/março de 2008 mostrou como a elevação do nível de excelência e titulação dos professores por meio da educação continuada e pós-graduada, conseguiu melhorar dramaticamente o desempenho escolar e a motivação dos alunos de uma escola pública em Pernambuco, onde um grupo de empresários se reuniu para apoiar o esforço da escola.

Será que vamos conseguir? Uma série de histórias comoventes de progresso pessoal obtidas por professores de nível básico e médio de pequenas cidades brasileiras, que antes eram completamente ignorados pelas autoridades, mostra que, se apenas 10% dos egressos desses cursos a distância do MEC passarem a ser agentes-chave de mudanças na qualidade educacional das instituições em que trabalham, já teremos um gigantesco impacto. Sabemos que é esse pequeno grupo de abnegados, com alma de empreendedores e líderes, que reconhecem entusiasticamente o valor do aprendizado e da oportunidade que eles estão tendo, é que farão a diferença, ou seja eles serão os agentes da mudança.

Para Saber Mais

Políticas e programas de EAD do Governo Federal (SEED/MEC)