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Renato Sabbatini

Embora pareça óbvio para qualquer um que as crianças aprendem usando o seu cérebro, até recentemente o campo da educação ignorava de forma surpreendente as descobertas das neurociências (anatomia, fisiologia, psicobiologia, ciências neurocognitivas, etc.) em sua área. Não mais. Surgiu um novo e poderoso campo da ciência, a neuroeducação. Ela é essencialmente interdisciplinar, pois combina a neurociência, psicologia e educação para criar melhores métodos de ensino, ou seja, que apliquem o que conhecemos sobre a fisiologia do aprendizado, da linguagem, da memória em crianças e adultos. As pesquisas e iniciativas de neuroeducação têm crescido muito no mundo, nos últimos anos, e tentam usar descobertas sobre aprendizagem, memória, linguagem e outras áreas da neurociência cognitiva para informar os educadores sobre as melhores estratégias de ensino e aprendizagem.  Cada vez mais, os professores querem e precisam saber sobre como os seus alunos aprendem e memorizam as informações ensinadas (ou não conseguem aprender). Os neurocientistas, por outro lado, querem saber como essas indagações dos professores podem sugerir novas pesquisas em neurociência.

Outra linha de abordagem em neuroeducação é compreender quais são os distúrbios e doenças nervosas e mentais podem afetar o aprendizado dos alunos. e como os professores podem colaborar com outros profissionais para ajudar a identificar problemas em sala de aula, de modo a enfrentá-los com novos  métodos de educação especial para a inclusão social dos seus alunos afetados.

Assim, a neuroeducação engloba o estudo de doenças comuns ou raras, tais como:

* Dislexia
* Discalculia
* Gagueira
* Desordem de atenção e hiperatividade
* Disfunção cerebral mínima
* Retardamento mental
* Disfunções no desenvolvimento
* Dificuldades de aprendizagem
* Deficiências da visão e audição
* Lesão cerebral
* Dispraxia
* Doenças mentais como depressão, ansiedade, etc
* Doenças sistêmicas com comprometimento cognitivo, como anemia, mixedema, desnutrição e outros

Muita coisa afeta o aprendizado de jovens e adultos, pois a mente e o cérebro são extremamente sensíveis a qualquer coisa que afete sua função em condições de ambiente interno ideal. Por exemplo, a dor crônica (como enxaqueca, comum em meninas em idade pubescente) afeta muito o aprendizado, as vezes por longos períodos de tempo. O estresse, causado por tantos agentes e situações no nosso dia-a-dia, é ainda mais poderoso para destruir a receptividade ao aprendizado por parte do jovem (brigas domésticas constantes, por exemplo, ou bullying).

A neurociência se diferencia um pouco da neuropsicologia, pois tem um foco muito biológico, muito voltado ao estudo do papel do cérebro. E os pedagogos e psicólogos infelizmente têm um pouco de dificuldade e falta de conhecimento nessa área, pois seus cursos de graduação não apresentam matérias fortemente focadas nesses aspectos biológicos. No Brasil, educação e psicologia sempre foram ciências humanas puras, sem muito respaldo das outras ciências naturais, como as ciências do cérebro.

Mas. pelo que tenho observado ultimamente, os pedagogos, psicólogos e psicopedagogos estão se interessando cada vez mais pelo tema, querem aprender muito sobre essa área, pois ela é muito motivadora e interessante. Além disso, tem importantes aplicações práticas.

História

A neuroeducação é um campo muito recente sob esse nome, mas o conceito e as publicações iniciais que tentaram construir uma ponte entre a neurociência e a educação foram feitas por Herbert Henry Donaldson (1857-1938), um neurologista, que escreveu um livro em 1895 intitulado The Growth of the Brain: A Study of the Nervous System in Relation to Education (O Crescimento da Cérebro: Um Estudo do Sistema Nervoso em Relação à educação, e Reuben Post Halleck (1859-1936), um educador, que escreveu em 1896 um livro intitulado “The Education of the Central Nervous System: A Study of Foundations, Especially of Sensory and Motor Training ” (A Educação do Sistema Nervoso Central: Um Estudo de Fundações, em Especial do Treinamento Sensorial e Motor) [3]

Para Saber Mais